Passaram 50 anos!

 

Foi no Domingo de Cristo-Rei, a 22 de novembro de 1970, que as primeiras Irmãs de S. João Baptista entraram oficialmente na missão de Iapala, diocese de Nampula (hoje arquidiocese), em Moçambique, respondendo ao convite do bispo D. Manuel Vieira Pinto, que carinhosamente as acolheu. Foi o início de uma amizade duradoira, de um refletir e trabalhar juntos, no seio do povo onde fomos enviadas.

Trabalho pastoral, promoção da mulher, assistência aos doentes do hospital da missão, trabalho social em favor dos mais necessitados… momentos fortes de oração e de reflexão davam fecundidade à ação.

A obra cresceu devagarinho. Veio o tempo, longo e doloroso, da guerra civil: anos de sofrimento, de empenho, de “arregaçar as mangas” para acudir aos feridos, aos deslocados, aos mais vulneráveis. Anos em que viajar para Nampula (a cerca de 170 Km) envolvia perigo de vida. Anos em que só havia possibilidade de mandar correio para a Europa quando a avioneta aterrava em Iapala.

Começaram a aparecer as primeiras jovens com interesse pela vida religiosa. Tudo foi evoluindo muito lentamente, estava-se em guerra… Em 1989 juntámos um primeiro grupo de meninas em Nampula, num pequeno andar, para podermos acompanhar mais de perto essas jovens, que frequentavam a Escola Secundária da cidade.

Construiu-se a casa de Nampula, chegaram mais algumas irmãs de Portugal. Em 1995 chegou a primeira indiana, para colaborar connosco na missão; outras se seguiram. A primeira irmã moçambicana, Ir. Maria de Fátima, professou há 25 anos. Celebrámos as Bodas de Prata… em confinamento, sem sair de casa.

Hoje temos 14 irmãs moçambicanas, uma noviça e cinco postulantes. Ainda presentes uma irmã portuguesa e outra indiana.

Abrimos as filiais de Ribáuè e de Gilé, acrescentando a Iapala e Nampula.

Em todas as comunidades, as irmãs trabalham empenhadamente na pastoral paroquial: catequese, ministério da Eucaristia, Infância Missionária, Oficinas de Oração e Vida, Encontros de Experiência de Deus, Legião de Maria, grupos de jovens, coro, ornamentação… conforme é necessário em cada paróquia.

Dedicamo-nos à educação das crianças e das meninas adolescentes e jovens, orientando dois jardins de infância (Ribáuè e Nampula) e três lares femininos (Ribáuè, Gilé e Iapala). Orientamos também uma biblioteca (Ribáuè) e uma escola primária particular que iniciou este ano, por enquanto só até à 3.ª classe (Nampula).

Em todas as comunidades apoiamos as famílias mais vulneráveis, ajudando as crianças a terem acesso ao jardim infantil e à escola, através de padrinhos que nos apoiam e outros benfeitores, colaborando na alimentação de crianças vulneráveis, idosos, doentes e deficientes. Tentamos estar atentas às principais necessidades do povo onde vivemos e recentemente começámos a apoiar a Cáritas Arquidiocesana no seu trabalho de acolhimento e distribuição de bens de primeira necessidade aos refugiados da guerra de Cabo Delgado (que confina com a província de Nampula).

Para fazer face às despesas (só duas irmãs trabalham no aparelho do Estado), cultivamos o terreno que nos pertence, criamos frangos, patos, coelhos, cabritos, porcos… Temos três aviários a funcionar e vendemos frangos.

Sonhos? Projetos de futuro? Sonhamos construir uma escola primária e secundária, a futura Escola Maria Rainha, nos arredores da cidade de Nampula. Será uma alternativa às escolas oficiais, que chegam a ter mais de cem alunos por turma e cujas instalações são muito deficientes, funcionando algumas turmas debaixo das árvores. Com as nossas poupanças, conseguimos adquirir um terreno e estamos a fazer o muro a toda a volta. Não temos capacidade económica para construir a escola, por isso pedimos ajuda a várias organizações, mas logo a seguir veio esta pandemia da Covid-19 que paralisou as ofertas da maioria… Não perdemos a esperança que venham dias melhores! Enquanto não conseguimos construir, fizemos no local um grande aviário, temos também coelhos e cabritos e estamos a cultivar a terra. Com os lucros do aviário, vamos construindo o muro de vedação.

No centro de cada uma das nossas casas fica a capela. É aí que começamos o nosso dia, unindo-nos pela oração ao Senhor, a quem oferecemos as nossas vidas. É aí que encontramos força e energia para todos os trabalhos, é a Ele que recorremos nas horas de incerteza e nas horas de alegria, e também a Ele apresentamos todas as necessidades e preocupações do nosso mundo, de um modo especial daqueles que nos rodeiam. Ao longo do dia temos os nossos momentos de oração em comunidade e cada uma também se esforça para encontrar tempo para a sua oração pessoal.

Termino com um pensamento do nosso Fundador, o P. João Maria Haw: “Tenho de aproveitar cada dia bem a sério. Cada dia me deve aproximar mais de Deus”.

Ir. Maria da Assunção Osório